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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Manhã de Carnaval

 Não era carnaval, mas sim uma tarde de outono de 2022, no meu retorno a Roma após um longo período. Andava sozinho pelas ruas do boêmio bairro de Trastevere a caminho do tradicional Bar San Calisto. Passava já pela Piazza di Santa Maria in Trastevere quando comecei a ouvir uma música instrumental que soava ainda distante. No início apenas identifiquei o som de uma gaita. Ao me aproximar, já no beco que leva à Piazza di San Calisto, a praça do bar, a música se tornou mais clara, também com a presença de um violão e já pude ver os músicos de rua que tocavam em frente à Chiesa di San Calisto, de frente pro bar. A bela música era Chega de Saudade, de João Gilberto, o meu cantor favorito da MPB (Música Popular Brasileira). Obviamente cheguei mais perto para apreciar a interpretação impecável. Ao terminarem, enquanto os presentes aplaudiam, caminhei em direção ao bar achando aquilo o ápice, não imaginando o que viria a seguir. Foi quando começaram a tocar a inconfundível Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá, executada de forma primorosa, com pura emoção e beleza. A sua melancolia combinava perfeitamente com o lugar, comigo e com a ocasião, como se tudo tivesse sido organizado pelo acaso ou pelo destino para mim. Parei imediatamente para desfrutar daquele esplêndido momento, numa mistura de sentimentos que é difícil de explicar.


terça-feira, 26 de agosto de 2025

Velhos tempos de concursos fotográficos

 Alguns anos atrás fui um dos vencedores do concurso fotográfico Paraíba dos Seus Olhos, promovido pela TV Cabo Branco, afiliada da TV Globo no estado da Paraíba. O tema daquela edição foi "Cenários Urbanos" e eu fiquei em terceiro lugar com esta foto, que foi intitulada "Companheiros de Praça".

Lembro bem do momento em que a foto foi tirada, no centro de João Pessoa e que eu estava na companhia do saudoso amigo David Trindade, companheiro de várias saídas fotográficas. Outro amigo, José Aurélio, ficou em primeiro lugar. O ano era 2011 e fazíamos parte do extinto Fotoclube Paraíba. Ficaram apenas as lembranças.


sábado, 12 de abril de 2025

A "Fábrica de Schindler"

Essa é a famosa fábrica de Schindler, no bairro de Podgórze, Cracóvia, Polônia. Ficou conhecida no mundo inteiro especialmente com a obra prima "A Lista de Schindler" de Steven Spielberg, mostrando como Oskar Schindler salvou mais de 1000 pessoas do Holocausto, na Segunda Guerra mundial.
A fábrica originalmente produzia esmaltes, passando a fabricar munições durante a guerra; atualmente o prédio inteiro é um museu impressionante. Também nesse bairro que foi criado o Gueto de Cracóvia. Dos quase 70 mil judeus da cidade na época, 55 mil foram expulsos e apenas 15 mil puderam permanecer, vivendo amontoados no gueto, numa área onde antes viviam 3 mil pessoas.
Detalhe que Podgórze não era o bairro judaico, mas sim Kazimierz. Assim, as casas de Kazimierz foram ocupadas pelas famílias desalojadas de Podgórze.
Estive na Polônia em 2017 e Cracóvia foi um dos lugares que mais me impressionaram até hoje, especialmente por aqueles dois bairros, que parecem ter parado no tempo, carregando para sempre sua história sinistra e tenebrosa.


 

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Milano de emoções extremas

 


    Recentemente vi algumas postagens do amigo Carlos Cartaxo no sobre Milano e que me fizeram lembrar da minha única e conturbada passagem por lá.  

    Era novembro de 2022 e eu retornava à Italia depois de exatamente 10 anos, em minha primeira viagem à Europa após a pandemia de Covid-19.   

    Após muitas aventuras e experiências das mais variadas possíveis, passando por várias cidades, algumas das quais eu já conhecia e outras não, me rendi à ideia de ir a Milano pela primeira vez, pois nunca havia sentido atraído por aquela cidade, não sei por quê. Era então o último destino da minha viagem, no qual eu passaria três noites. Fui quase à força. Despedi-me dos meus amigos Marisa e Angelo na estação de Desenzano del Garda mentre suonava la batteria silenziosa. Assim que chequei fiquei encantado com a grandiosidade e beleza da stazione Centrale di Milano, mas sem perder tempo peguei a metropolitana rumo à Piazza Missori, onde ficaria hospedado no Hotel dei Cavalieri, há uns 400 metros do Duomo di Milano. Desde o momento em que cheguei notei ser uma cidade de alma fria, que parecia contrastar com a minha. Na verdade, eu já tinha esse pensamento muito antes. Para piorar eu não estava muito bem emocionalmente. Só pensava em três coisas: Duomo di Milano, galleria Vittorio Emanuele e L'Ultima Cena (A Última Ceia), de Leonardo da Vinci. Mesmo assim, sem animo algum, não queria estar ali em vão e, como já era noite resolvi sair para dar uma volta pela famosa Piazza del Duomo e procurar um lugar legal para jantar (a pior parte quando viajo sozinho). Enquanto me aproximava da catedral ouvi tocar Beatles em algum lugar; logo percebi que era uma banda que se apresentava bem ao lado da imponente igreja.  Imediatamente lembrei do meu amigo Ailson, grande fã dos Beatles, e lhe mandei um vídeo pelo Facebook. 

    No dia seguinte voltei à galleria Vittorio Emanuele, que fica na mesma piazza, onde almocei em um bom restaurante e logo após fui conhecer o famoso Duomo di Milano por dentro; uma verdadeira obra prima, com uma vista espetacular da cobertura da igreja. Apesar de tudo eu continuava sem me sentir bem, mas faltava ainda ver a tão falada pintura de Da Vinci. 

    O terceiro dia foi reservado exclusivamente para isso, pois é preciso agendar, comprar bilhete com antecedencia e passar por várias etapas de segurança. Chovia um pouco e embora ansioso para entrar na Basilica di Santa Maria delle Grazie, não tinha expectativas fora do normal quanto à tal obra de arte, apesar da sua extrema importância. Já no interior do antigo prédio várias fotos antigas mostrando o antes e o depois, enquanto a guia explicava toda a história e dos problemáticos trabalhos de restauração pelos quais passou l'Ultima Cena passou, bem como do processo de proteção durante o período da Segunda Guerra Mundial, quando o prédio foi fortemente bombardeado. Ao ver tais fotos percebemos que foi um milagre as pinturas não terem sido destruídas. Naquele momento entendi o porquê de aquela ser a obra de arte mais protegida do mundo e eu já estava impressionado.  

Tudo mudou completamente quando passei pela última etapa de controle e entrei no Cenacolo Vinciano, um grande salão retangular sem nada no interior, apenas duas pinturas em cada uma das extremidades, onde uma é l'Ultima Cena, de Leonardo da Vinci e a outra, do lado oposto, La Crocifissione (A Crucificação), de Giovanni Donato Montorfano. 

    A primeira reação ao ver l'Ultima Cena foi de surpresa e total encanto, com uma emoção que jamais havia sentido ao ver uma obra de arte em um museu. Uma enorme pintura de 4,60 metros de altura e 8,80 metros de largura feita diretamente na parede. Foi como um golpe inesperado que subitamente me fez chorar, numa mistura de felicidade e tristeza, que talvez resuma ou expresse o paradoxo que vivi naquelas semanas na Italia.  

    Milano não é nem de longe a minha cidade italiana favorita, mas agora posso dizer que a minha obra de arte favorita está em Milano. 

 

sábado, 23 de novembro de 2024

Uma foto à francesa


Era outubro de 2024 em algum lugar da França, mais precisamente na pequena cidade de Saint-Junien quando resolvi pedir a uma certa pessoa para tirar uma foto minha. O lugar era interessante, o dia estava bonito e acho que não havia pedido a ninguém até então para tirar foto minha na viagem.
A foto acima é o resultado. Até agora estou tentando entender o conceito ou ideia do enquadramento e da foto como um todo. E deve haver realmente um conceito, pois na verdade foram duas fotos. Na primeira eu vi que saiu errado e pedi para fazer novamente. Depois da segunda eu nem conferi, pois não acreditava que fosse possível sair "pior" do que a primeira. Mas, para minha surpresa, quando vi, as duas fotos eram exatamente iguais. 
Ou a pessoa que fotografou tem uma técnica muito peculiar e à frente do meu tempo ou ela não achou a paisagem tão interessante assim, nem o dia tão belo e deve ter me achado muito feio também. 
É algo tão incrivelmente indescritível, especial e único que acho que vou emoldurar essa foto, pois, querendo ou não, me fará lembrar do lugar e do momento, mesmo que visivelmente não seja possível ter noção alguma de lugar, momento ou qualquer outra coisa que eu tinha imaginado.

domingo, 1 de setembro de 2024

Uma beleza escondida no centro do Rio de Janeiro

         O ano era 2011 e eu visitava o Rio de Janeiro pela segunda vez; mais precisamente
para ir a um festival de música (há um post sobre isso).

Eu estava na cidade por quatro dias para ir ao festival de música Rock in Rio (há uma postagem apenas sobre isso). Durante o meu único dia livre de evento, já o dia de retornar a João Pessoa, decidi ir conhecer e explorar o centro da cidade a pé, de forma espontânea, o que não havia feito na primeira vez, três anos antes. Depois de andar bastante me deparei com um charmoso prédio de porta e janelas imponentes que se destacava das demais construções ao redor. Uma bela placa de metal com letras douradas dizia que era uma biblioteca pública e imediatamente fui verificar se estava aberta, o que para minha felicidade estava. Quando entrei quase não acreditei no que havia encontrado totalmente por acaso: o Real Gabinete Português de Leitura; um prédio do século XIX que abriga uma das bibliotecas mais bonitas do mundo. 

        Após aquele ano retornei ao Rio várias vezes mas não consegui mais voltar ao local. Espero em breve ir com mais calma, explorar melhor e fazer mais fotos. 








domingo, 13 de setembro de 2020

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Pedra de Ingá



A pedra do Ingá é um monumento arqueológico com cerca de 50 metros de comprimento e 3 de altura com várias inscrições e desenhos que representam animais, frutas, constelações e figuras curiosas, muitas com significados não desvendados. Ainda não se sabe com precisão sobre a origem dos desenhos. Há os que defendem que foram feitos por indígenas habitantes da região há milhares anos e os que acreditam terem sido feitos por extraterrestres. 
A formação rochosa está localizada no município de Ingá, Paraíba, a mais ou menos 100km da capital de João Pessoa e 40km de Campina Grande.

domingo, 5 de julho de 2020

Ruínas da Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso



Ruínas da igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso, construída no final do século XVIII pelos padres da Ordem dos Carmelitas no município de Lucena, litoral da Paraíba. Entrelaçada e sustentada por uma imponente gameleira, a igreja resiste ao tempo e ao abandono escondida na Mata Atlântica, onde o acesso se dá por meio de trilhas. Mesmo nessas condições, a igreja, ou o que restou dela, ainda recebe muitos visitantes turistas e fiéis, principalmente moradores locais, devotos de Nossa Senhora do Bonsucesso. O local é patrimônio cultural do Estado.

Diz uma lenda que aquela árvore se originou dos restos mortais de um padre que foi executado no local.

domingo, 21 de junho de 2020

Benoit Bistro



Uma coisa bastante comum entre os que gostam de viajar é conhecer um pouco da culinária local, o que em alguns casos também inclui conhecer bons restaurantes. É claro que comigo não é diferente. Por volta de 2013 comprei um guia de restaurantes de Paris indicados pelo renomado chef francês Alain Ducasse, com várias fotos e dicas interessantíssimas de vários tipos de estabelecimentos, desde pequenas lanchonetes a badalados e luxuosos restaurantes. O que primeiro me despertou interesse no guia foi o sugestivo título "Amo Paris" e em seguida as fotos e dicas, muito bem elaboradas e convidativas. Pouco tempo depois comprei as edições de Londres e Nova Iorque. No ano seguinte, quando estava em Nova Iorque, baseado no guia fiz uma lista dos restaurantes que queria conhecer e entre eles um me chamou a atenção por fazer parte também do guia de Paris, o Benoit Bistro. Foi o restaurante que escolhi para ir na noite do meu aniversário e acho que a escolha não poderia ter sido melhor. Uma maravilha em todos os sentidos. A partir daí ficou a curiosidade e vontade de um dia conhecer o original, em Paris. 


Então, dois anos depois eu estava novamente na cidade Luz, dessa vez sozinho e pela terceira vez e não poderia deixar passar a oportunidade. Na verdade quem me conhece sabe que a coisa que mais me desanima quando viajo sozinho é jantar sem companhia em algum restaurante. Não tenho problema com nada mais, mas jantar fora em viagem é algo que considero bastante deprimente, portanto pensei várias vezes se iria ou não e, na minha última noite na cidade decidi ir, mesmo sozinho, jantar no Benoit.


Fundado em 1912 no coração de Paris, a poucos metros do Hotel de Ville, o Benoit é um dos mais antigos bistros da cidade. Com muita história e tradição, pertenceu à família Petit por quase um século, passando de geração em geração, até que em 2005 foi adquirido por Alain Ducasse, do qual seus restaurantes possuem juntos mais de 20 estrelas Michelin, sendo o Benoit um deles. A partir de então o restaurante passou a ter mais fama, charme e requinte, com ambiente aconchegante muito bem decorado no estilo clássico parisiense, com seus bancos vermelhos, quadros e espelhos, além da excelente culinária. Atualmente, além de Paris e Nova Iorque há um Benoit bistro em Tóquio. 
Como Tóquio é uma das cidades que estão na minha lista de próximos destinos, um lugar para ir na capital japonesa já está definido. 
Portanto, quem for a alguma dessas cidades e quiser ir a um restaurante legal, essa é a minha dica. O preço é intermediário.

sábado, 13 de junho de 2020

CRACÓVIA, POLÔNIA (PARTE 1) 🇵🇱🇵🇱🇵🇱


Uma cidade parada no tempo.



Muro com grafite no antigo bairro judeu de Kazimierz, em Cracóvia.


A cidade de Cracóvia, polo turístico e cultural da Polônia, parece ter parado no tempo, carregando uma aparência um tanto sombria e fria, legado de sua história no período da Segunda Guerra Mundial, o que também se pode perceber em Varsóvia, a capital do país. Prédios antigos, ruínas, ruas vazias e bairros com aspecto de abandono são bastante comuns na cidade. Além disso as pessoas parecem carregar em si esse “peso” e frieza no semblante e no olhar. Há algum tempo eu já possuía interesse por aquele período da história, especialmente pelo que envolvia Cracóvia. E essa atração, bastante influenciada por grandes obras do cinema, como “O Pianista”, do polonês Roman Polanski e o clássico “A Lista de Schindler”, de Steven Spielberg, além de livros marcantes como “Depois de Auschwitz”, biografia de Eva Schloss, foi o que me levou a visitar a Polônia, em novembro de 2017, em continuação a um roteiro de viagem que eu havia iniciado um ano antes na Alemanha. Na verdade a minha passagem pela Polônia foi curta, pouco mais de uma semana, mas suficiente para enxergar, captar e entender um pouco do lugar e o que se passou ali. Aqui um pouco do que pude registrar nas minhas andanças pela cidade de Cracóvia. 


Algum lugar de Cracóvia


Podgórze, distrito onde ficava localizado o gueto dos judeus.


Podgórze


Ruínas de prédio em Kazimierz, o antigo bairro judeu de Cracóvia.


Portal que que liga a Rua Florianska ao Barbakan, uma fortificação medieval no centro da cidade. 


Fragmento do gueto de Cracóvia em Podgórze


Praça Bohaterów, local onde eram selecionados os judeus que seriam transportados para os campos de concentração. Nesta praça está o monumento das cadeiras, uma homenagem de Roman Polanski para lembrar os judeus que tiveram que sair de suas casas levando seus pertences. Na mesma praça fica a Farmácia da Águia, única farmácia da qual os habitantes do gueto tinham acesso durante a ocupação.


Praça no centro de Cracóvia


Detalhes da Avenida das Estrelas de Cracóvia, com as marcas de algumas personalidades do cinema mundial, como Stellan Skarsgard e Roman Polanski. Fica na colina ao lado da famosa estátua do dragão cuspidor de fogo, o Dragão de Wawel.


Praça da Velha Sinagoga de Cracóvia, no bairro Kazimierz.


Patrícia, uma peruana super gente boa que mora no Japão e que conheci num ônibus a caminho de Auschwitz. Fizemos então a visita juntos e ao retornar a Cracóvia jantamos em um restaurante na Praça do Mercado. Em seguida fomos dar uma volta pela cidade enquanto ela esperava a hora para ir a estação de trem, pois mais tarde iria partiria rumo a Paris, de onde retornaria ao Japão.


Um rápido encontro no HardRock Café Kraków com os amigos de João Pessoa, Lara e Juan, o casal @sortopelomundo. Interessante que estávamos fazendo praticamente o mesmo roteiro por alguns países, mas em sentido inverso e após algumas semanas a viajar de cidade em cidade, nos encontramos em Cracóvia para um drink e bater um papo. Eu acabara de chegar na cidade e eles já estavam de partida naquela madrugada rumo a Berlim. 


Artistas de rua na rua Florianska


Citadel de Cracóvia


A lendária Fábrica de Oskar Schindler, ao lado do antigo gueto.


Detalhe de rua em Kazimierz


Detalhe de muro em Podgórze


Rua deserta e com vários prédios abandonados em Podgórze.


Praça do Mercado, principal praça de Cracóvia, onde está localizada a Torre do Relógio, o mercado de tecidos, a pequena igreja de São Adalberto e a imponente Basílica de Santa Maria.



Auschwitz Museum. Milhares de sapatos de prisioneiros de Auschwitz, na cidade de Oswiecim, uma pequena cidade a 50km de Cracóvia onde fica localizado o que foi o maior campo de concentração e extermínio do período nazista. 


Corredores do temido campo de concentração de Auschwitz.


segunda-feira, 8 de junho de 2020



Fim de tarde na cidade medieval de Berna, Suíça. Ao fundo o Zytglogge, icônico relógio construído no século XIII no centro da principal rua comercial e turística da cidade antiga. Alguns metros após a passagem sob o relógio fica o Einsteinhaus, casa onde morou Albert Einstein, que hoje funciona como um museu e possui um pequeno café no térreo bem agradável. Achei a cidade super interessante e charmosa, ideal para passar uns dias, principalmente para quem planeja ir também a Interlaken, embora muitos digam não ter gostado de Berna por ser pequena, pacata, fria e cara. Bem, isso tudo é verdade, mas gosto é algo relativo. Talvez uma lida nos estudos da Teoria da Relatividade de Einstein lá no Einsteinhaus ajude a compreender melhor, ou provavelmente faça desentender tudo que pensava que entendia.

sábado, 6 de junho de 2020

TREM NOTURNO DE LISBOA



16 de outubro de 2015. Últimas horas em Lisboa. Na plataforma 5 da estação Gare do Oriente o relógio marcava 21:32. O coração batia extremamente acelerado por eu haver chegado a tempo para o trem que sairia em dois minutos, bem como pela ansiedade de uma aventura envolvida de mistérios, inspiração e outras coisas mais que estava para começar. Nada era acaso e teve origem por volta de um ano antes quando Raimund Gregorius, um professor suíço de latim encontrou um bilhete de trem no casaco de uma mulher que ele havia salvo de suicídio em uma ponte de Berna, no filme “Trem noturno para Lisboa”, do diretor dinamarquês Bille August, adaptação do best seller (Nachtzug nach Lissabon), do suíço Pascal Mercier. 
No meu caso Lisboa era o ponto de partida e o destino não era Berna, onde eu estivera dois anos antes.
Já a bordo, alguns outros viajantes solitários como eu liam, escreviam, ouviam música, dormiam ou simplesmente olhavam pela janela a paisagem noturna quase imperceptível, enquanto um grupo de russos e uma família de brasileiros um pouco à frente falavam sem parar. 
Recordo bem da luz dourada e dos dois guardas a conversar sob a neblina quando o trem parou rapidamente na estação de Coimbra, mas não consigo lembrar do livro que eu estava a ler.
Após quase 11 horas de viagem desembarquei na estação Chamartín em Madrid. A partir daí é uma outra história...

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Praga


Certamente muitas pessoas não vejam nada de especial nessa fotografia. Apenas uma cena comum de uma cidade antiga com alguns traços de modernidade. Para mim é bem mais do que isso, embora confesse que, quando estava a fotografar, a tal fotografia ou o que as pessoas poderiam achar dela era o que menos me importava. A cidade, Praga, República Tcheca, e lá eu estava em novembro de 2017, onde há quase cinco décadas, mais precisamente no ano de 1968, o grande fotógrafo tcheco Josef Koudelka fez uma das coberturas mais importantes da história do fotojornalismo, registrando os conflitos decorrentes da ocupação da cidade pelos militares da União Soviética, num período de sete dias que ficou conhecido como "Primavera de Praga". Com esse trabalho ele se tornou conhecido internacionalmente e ganhou o prêmio Robert Capa Gold Medal Award, um dos mais importantes do mundo. Uma de suas fotografias mais famosas que está entre as minhas favoritas de todos os tempos, a do relógio de pulso marcando a hora exata da invasão, foi feita aproximadamente desse ponto, da janela de um prédio na Praça Venceslau, onde atualmente funciona uma loja de departamentos. Portanto, eu queria apenas ter o prazer de poder estar ali, ver de perto, imaginar e sentir tudo isso, além de também aprender com tudo isso.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Grande Sinagoga de Budapeste - Hungria


A Grande Sinagoga de Budapeste, Hungria, é a maior da Europa e a segunda maior do mundo, atrás apenas de Nova York. Esse majestoso prédio foi construído no século XIX (1854-1859) e tem capacidade para 3000 pessoas, recebendo judeus e visitantes do mundo inteiro. Fica localizado na Rua Dohány, no antigo bairro judeu da cidade (Zsidó Negyed), região na qual durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial foi estabelecido o gueto de Budapeste, que como em todos os demais guetos que surgiram na Europa era formado por vários quarteirões cercados por muros altos e arames farpados, vigiados por guardas armados, onde a população vivia amontoada e em condições precárias, completamente isolada do mundo exterior e sem fornecimento de alimento ou mesmo coleta de lixo. Ainda durante a guerra, a Grande Sinagoga sofreu diversos danos e muitas vezes quase foi demolida, mas depois foi completamente restaurada e hoje é de extrema importância para a cidade de Budapeste, abrigando ainda um memorial aos judeus mortos no Holocausto e uma escultura de metal chamada Árvore da Vida, simbolizando os quase 600.000 judeus húngaros que morreram durante a Segunda Guerra. Detalhe: cerca de 430.000 foram enviados para Auschwitz.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A primeira sinagoga das Américas

        
Essa é a sinagoga Kahal Zur Israel. Poucos sabem que ela foi a primeira sinagoga das Américas, fundada no século XVII por um rabino holandês na cidade de Recife, Pernambuco, na época da ocupação holandesa no Nordeste do Brasil. Na Europa os judeus sofriam vários tipos de perseguição e aqui eles podiam desfrutar da liberdade religiosa e realizar seus cultos e costumes normalmente, até que os portugueses retomaram a cidade e os obrigaram a se converter ao catolicismo ou deixar a região. Com isso as famílias judias emigraram para a então colônia holandesa, a Nova Amsterdam, atual Nova Iorque e deram origem à primeira comunidade judaica na América do Norte.
O prédio fica na antiga Rua dos Judeus, atual Rua do Bom Jesus, centro histórico de Recife. Sua estrutura interna e história foram descobertas por acaso, por volta do ano 2000, quando no local funcionava uma loja de materiais elétricos. Após uma grande reforma, hoje é um pequeno museu que também funciona como o Centro Judaico de Pernambuco e é um local de preservação da cultura judaica no Brasil.